quinta-feira, fevereiro 25, 2016
Da idiotice
Ajudem-me nesta questão: Digam a estes idiotas que esta Graciosa fica nos Açores e não nas Canárias.
terça-feira, fevereiro 09, 2016
Fotografias da Graciosa
A ilha começa na Ponta da Barca e acaba na Restinga, a contemplar o Ilhéu de Baixo. Diziam os antigos, Ilhéu dos Homiziados, a lembrar a tragédia que aí se passou em 1541, quando uma tentativa de resgatar sete jovens ali acossados pela braveza do mar, terminou na morte de quatro dos que lhes vinham prestar auxílio.
sábado, dezembro 12, 2015
Parque das Eiras, do Arquitecto Bruno Félix
Já referi há algum tempo que a reabilitação dos fornos de telha e a sua envolvente seria uma mais valia para a ilha e para quem nos visita, já que ficam a poucos metros de uma importante porta de entrada e encontram-se actualmente num estado deplorável. Sei que esta proposta do Arquitecto Bruno Félix já tem alguns meses mas só hoje tomei conhecimento da mesma; Os meus sinceros parabéns pelo excelente projecto e só espero que chegue às mãos a quem de direito e se venha a concretizar num futuro bem próximo.
Crítica construtiva: Não seria possível integrar neste projecto os vários edifícios em alvenaria de pedra que ainda existem neste espaço e que faziam parte das eiras? Os fornos de telha são a parte mais impressionante destes espaços, mas os barracões que lhes ficam anexos constituem um testemunho importante do ofício dos telheiros, já que era neles que se desenvolviam a maior parte dos trabalhos. Demoli-los é uma opção fácil mas seria amputar as eiras e perder uma parte muito importante deste património da ilha Graciosa.
quinta-feira, outubro 08, 2015
sexta-feira, outubro 02, 2015
Uma baleia
Foi num fim de tarde de mar azul que vi a baleia. Houve uma agitação, um salpico esparso de espuma branca sobre o mar raso que me vez olhar para aquele lugar, a pouco menos de uma milha da costa. Subitamente, uma pirueta acrobática, uma barriga branca e um dorso negro. Outra pirueta. E outra e outra... Não ouvi foguetes nem buzina como diziam os antigos que era a lei quando iam caçar o leviatã. A baleia, (baleia de barbas, baleia de bossa?) esteve ali 20 minutos, a saltar e a agitar o mar numa tarde clara de Agosto.
Atónito, apressei-me a pegar na máquina fotográfica e a fazer zoom. Duas (tentativas de) fotografia depois apercebi-me da futilidade do meu acto. Que raio, um dos animais mais magníficos do mundo à minha frente e eu a tentar vê-lo pela objectiva de uma máquina, preocupado em focá-la e enquadrá-la! Desliguei a máquina e fiquei ali, sobre o calhau do mar, a apreciar o espectáculo efémero.
Uma das muitas doenças da pós-modernidade é esta mania absurda de enxergar o mundo por uma objectiva. Sofro como todos desse mal. Como se todo o mundo, redondo e imenso, pudesse caber num ecrã quadrado.
Vi uma baleia. Provavelmente nem esteve tanto tempo ali à vista da costa como eu disse, provavelmente nem saltou e rodopiou no ballet que eu me lembro de ter visto, provavelmente a tarde nem estava bonita e o mar estava agreste, mas eu hei-de lembrar-me por muitos anos que vi uma baleia a agitar o mar chão num fim de tarde doirado de Agosto. Não a prendi numa fotografia mas ela vive livre na minha lembrança e livre no nosso Atlântico.
terça-feira, fevereiro 10, 2015
Sobre histórias da Carochinha...
De tempos a tempos os jornais e a
televisão fazem eco das descobertas arqueológicas que se vão fazendo nos Açores
e que atestam um povoamento pré-Português destas ilhas Atlânticas. Se de início
estas notícias começaram por ser um fenómeno da silly season, com o passar dos
anos foram-se tornando mais constantes nos meios de comunicação social, ao
ponto de muita gente começar a assumir que a presença de culturas da
Antiguidade no arquipélago, mais do que uma suposição, seria um facto. Foram “descobertos” hipogeus
(túmulos escavados na rocha) nas Flores e no Corvo, pirâmides na ilha do Pico,
construções megalíticas, templos fenícios e uma inscrição e uma necrópole
romana na ilha Terceira. Supostamente tudo bastante anterior ao conhecimento
dos Açores.
Estas pseudo-notícias não passam de efabulações e encontram-se nos
antípodas de qualquer processo científico, já que negam factos e misturam
paralelos conhecidos, omitem a tradição oral e os registos históricos que
existem sobre essas estruturas, conhecidas desde longa data mas bastante
distantes da antiguidade que os seus “descobridores” querem fazer crêr.
Ademais, nenhum dos intervenientes destas pseudo-descobertas tem competências
para interpretar os factos históricos e os dados arqueológicos, a não ser que
os lastimosos documentários do Canal História confiram equivalências.
Acreditar, sem quaisquer provas dignas desse nome e reconhecidas como tal, que
o arquipélago dos Açores seria habitado desde milénios antes de Cristo por
culturas provenientes da bacia do mediterrâneo - como o são fenícios ou romanos
- manifesta um medíocre conhecimento da História e da Geografia.
O Estreito de Gibraltar, essas
Colunas de Hércules da lenda, constituiria um marco bem fincado para a
navegação; se o Mediterrâneo era atravessado desde tempos imemoriais por
embarcações, o Atlântico apresentava-se uma imensidão desconhecida e tormentosa
e todas as embarcações que o sulcavam na Antiguidade limitavam-se a navegar à
vista da linha costeira. A tecnologia e os conhecimentos da época estavam muito
longe de permitir a navegação em pleno Atlântico e só na centúria de
quatrocentos se arriscaram navegações para outras longitudes. Como se poderia
explicar então a existência nos Açores de estruturas pretensamente semelhantes às
encontradas no continente Europeu - com 4000 ou 2000 anos - e que implicariam
uma ocupação bastante alargada no tempo? Com que finalidade aportariam aqui
canoas ou trirremes romanas? Onde estão os vestígios materiais que qualquer
ocupação humana deixa por testemunho e que traduzem-se em cerâmicas, numismas e
vidros que nos permitem estabelecer paralelos efectivos e datações absolutas?
Em última análise, este fenómeno é
sintomático do estado acrítico a que chegou uma sociedade que se debruça durante
muito tempo sobre a televisão e pouco sobre bons livros.
sexta-feira, fevereiro 06, 2015
sábado, janeiro 31, 2015
Caldeirinha
Adivinha-se na topografia da Serra Branca os contornos
esbatidos de uma velha e grande caldeira, cujas paredes erodidas por milhões de
anos mal se fazem notar entre o tapete de erva que a forra. Este vulcão seria
pouco menor do que a Caldeira, mas muito mais antigo.
Nesta imensa cicatriz,
destaca-se a Caldeirinha, uma pequena chaminé vulcânica e que terá surgido
muito depois do vulcão da Serra Branca e foi povoada por diabretes quando as
gentes também aqui aportaram e que hoje em dia é um miradouro excepcional sobre
as terras chãs de Santa Cruz e Guadalupe. Chamam-lhe Caldeirinha, mas os
Graciosenses de outrora chamavam-lhe Caldeira de Pêro Botelho, que era nome de
baptismo do Tinhoso, do Mafarrico, do Demónio com pernas, braços e pele de
Homem.
Se Deus está em todo o lado, o Diabo remete-se apenas a um sítio, a um
buraco fundo e escuro, entre os vapores de enxofre e a humidade podre do musgo
velho. Não está sozinho na sua masmorra: os diabretes servem-no e povoam o
imaginário Graciosense. Era frequente estes seres malfazejos sairem da
Caldeirinha, descerem as canadas e atentarem as lavadeiras do caminho do
Tanque, que mais do que qualquer outra pessoa tinham razão para temerem aquela
cratera do demo, sobranceira ao ermo onde lavavam a roupa dos senhores da vila.
O rol de travessuras destes acólitos de Belzebu é grande, maior do que se possa
enumerar. Talvez, em alguns casos, pudessem estar inocentes.
Nos últimos anos investiu-se na requalificação do caminho que contorna a cratera e na construção de um miradouro que abarca um vasto e belo panorama, de verde e azul, de montes e mar que custa acreditar que o demónio tenha habitado estas paragens.
segunda-feira, setembro 15, 2014
segunda-feira, julho 21, 2014
Andanças (Ou: isto não é um blog sobre viagens, mas...)
Fim da tarde e a
Giralda veste-se de sombras e luz. A cidade acorda da siesta e aqui, no bairro
de Santa Cruz, as esplanadas enchem-se de gente. Comem tapas e bebem cerveja, sob
as copas floridas das laranjeiras que nascem compassadas nos passeios, enquanto ao
fundo da rua um coro de pequenas sevillanas
de voz quebrada, trauteia Camarón.
Guardei o mapa, perdi-me e acabei por encontrar a felicidade pura num pátio
de Sevilla, a cidade que é uma jóia, forjada por quase todas as culturas que
puseram pé neste extremo da Europa, um cadinho onde se fundiram árabes,
cristãos e judeus, onde coube o velho mundo e o novo mundo. Alguém escreveu
(Hemingway?) que o que mais o irritava nos Sevilhanos era gabarem-se
constantemente de viverem na cidade mais bonita do mundo. Fora isso, eram bem
capazes de ter razão.
(Sevilla, Abril de 2014. A primeira vez que cá vim, era um turista. Cinco visitas depois, sinto-me em casa)
quarta-feira, julho 16, 2014
Andanças
Alto-Douro. É sempre bom rever, mesmo que só por dois dias, um amor de 12 anos, uma terra de gente grande e boa, de paisagens gigantes e de um rio que é um mundo.
domingo, março 16, 2014
casas
A
casa morreu de solidão e apodreceu como um esqueleto, carcomido pela salitre e
pelo caruncho, amortalhado em teias de aranha e pó de abandono. A velha chaminé
de mãos postas é uma suplica e as telhas reviram-se em agonia quando puxa a
nortada. A sua última habitante, minha avó, morreu numa manhã cinzenta de Maio
e a casa começou a morrer nesse dia.
São as pessoas que fazem os lugares mas são os lugares que sobrevivem às pessoas. E quando o cheiro a gente desaparecer, quando a fartura de uma mesa de matança for pó, quando as vozes na cozinha e nos corredores for um distante eco, as casas também morrem. De solidão.
terça-feira, fevereiro 11, 2014
Fala do Homem Nascido (António Gedeão. Teatro do Mundo, 1958)
Venho da terra assombrada
Do ventre da minha
mãe;
Não pretendo roubar
nada
Nem fazer mal a
ninguém.
Só quero o que me é
devido
Por me trazerem aqui,
Que eu nem sequer fui
ouvido
No acto de que nasci.
Trago boca para comer
E olhos para desejar.
Com licença, quero
passar,
Tenho pressa de
viver.
Com licença! Com
licença!
Que a Vida é água a correr.
Venho do fundo do
tempo;
Não tenho tempo a perder.
Minha barca
aparelhada
Solta o pano rumo ao
Norte;
Meu desejo é
passaporte
Para a
fronteira fechada.
Não há ventos que não
prestem
Nem marés que não
convenham,
Nem forças que me
molestem,
Correntes que me
detenham.
Quero eu e a
Natureza,
Que a Natureza sou
eu,
E as forças
da Natureza
Nunca ninguém as
venceu.
Com licença! Com
licença!
Que a barca se fez ao
mar.
Não há poder que me
vença.
Mesmo morto hei-de
passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela
polar!
sábado, fevereiro 08, 2014
Fotografias da Graciosa
"Devo explicar que todas as ilhas têm uma nuvem sua, uma nuvem própria, independente das outras nuvens e do céu, e com uma vida à parte no universo."
Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas
segunda-feira, março 11, 2013
Regresso ao Alentejo
Há aqui qualquer coisa que agrada a um homem das ilhas. A
começar pela planura ondulada a estender de vista, que traz à lembrança esse
mar que nos rodeia e esses horizontes largos que nos confortam, onde a espaços
despontam outras ilhas brancas, perdidas numa imensidão de terra, habitadas por
gentes que - sem o saberem - são tão insulares como eu.
O Alentejo é um
arquipélago construído à força de braços por gente sem nome, desde que o mundo
é mundo. E isso vê-se no mais pequeno
Monte, na aldeia e na cidade maior, estendidos sem cerimónia sobre o seu
quinhão de terra, caìados a orgulho, solitários até ao horizonte. Como uma
ilha.
domingo, fevereiro 24, 2013
Este blog, acabou de criar uma página do Facebook. Aos interessados:
http://www.facebook.com/pages/Ilha-Branca/615384485144128?ref=hl
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
segunda-feira, dezembro 31, 2012
terça-feira, dezembro 25, 2012
sexta-feira, dezembro 14, 2012
: divagações
Certo ano passei o Natal sozinho. Maldito trabalho. A ilha ficou longe. As saudades da família tornaram-se insuportáveis à medida que os postais dos lares preparados para a consoada passavam na televisão. Maldita televisão. Jurei nunca mais cometer o erro de pôr o trabalho à frente da família. Foi um Natal deprimente.
Daqui a poucos dias, os meus poucos dias de férias - dois deles passados em viagens - serão junto aos meus e o Natal terá o sabor que sempre teve. E não me importo que chova, que faça vento, que faça frio, mas só depois do avião parar na pista do aeródromo.
Daqui a poucos dias, os meus poucos dias de férias - dois deles passados em viagens - serão junto aos meus e o Natal terá o sabor que sempre teve. E não me importo que chova, que faça vento, que faça frio, mas só depois do avião parar na pista do aeródromo.
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