terça-feira, dezembro 30, 2008
Cemitério Judaico
segunda-feira, dezembro 29, 2008
Visite a Ilha Graciosa
domingo, dezembro 28, 2008
Graciosa. Hoje...
Os Goonies e Recordações de Infância

sábado, dezembro 27, 2008
sexta-feira, dezembro 26, 2008
Pico Timão
quarta-feira, dezembro 24, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
Moinhos
sábado, dezembro 20, 2008
Regressei....
T.S Elliot
terça-feira, dezembro 16, 2008
Viajar: Montemor-o-Novo

segunda-feira, dezembro 15, 2008
Próximo Destino
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Piratas, Flibusteiros e Arruaceiros
A 16 de Fevereiro do ano da Graça de 1691, aportou em frente às casas sossegadas da Praia uma barlanda de bandeira inglesa, declarando na alfândega que trazia somente 6 tripulantes e uma carga de azeite e bacalhau. Pediram estes homens que lhes fossem enviados 4 ou 5 barcos para desembarcarem tão cobiçada carga, mas logo que os barcos alcançaram a barlanda os Ingleses apoderaram-se deles e prenderam a enganada tripulação.
Pelas 11 horas da noite, servindo-se dos barcos capturados, desembarcaram no porto cerca de 35 homens, bem armados com espingardas e lanças e logo ali mataram o meirinho da alfândega que ainda conseguiu, com os seus gritos, alertar alguns vizinhos que se apressaram a fugir. Os flibusteiros entraram livremente na vila e servindo-se de um dos tripulantes dos barcos capturados, dirigiram-se a casa do tesoureiro da igreja. Pediu-lhe o preso para que lhe fossem dadas as chaves da igreja pois havia um enfermo que requeria a Santa Unção. De boa fé, o tesoureiro entregou-lhe as chaves mas logo que viu os ingleses fugiu. Servindo-se do preso e de falsos pretextos, os ladrões foram de casa em casa, capturando os fidalgos e prendendo-os na igreja, podendo-se então entregar ao seu malévolo propósito já que o resto da população havia fugido para o mato e para as grutas do mar em busca de segurança.
Ao romper da lua soltou-se do improvável cárcere um moço, que pela madrugada correu a pedir auxilio às gentes de Santa Cruz. Imediatamente o capitão-mor desta vila tratou de reunir 200 homens armados que ao romper da aurora marcharam para a vila da Praia. Chegando este improvisado exército ao Alto do Quitadouro, que marcava o limite das duas jurisdições, optaram por construir uma muralha em pedra solta para impedir a passagem para a banda de Santa Cruz, contra a vontade de um douto clérigo, guardião de São Francisco, chamado Frei Gonçalo da Purificação, que achando de nada valer este esforço, propôs que se levassem duas peças de artilharia para o adro da igreja de Nossa Senhora da Guia e daí se afundassem os barcos aportados, impedindo a fuga dos ingleses, que vendo-se acossados e em aflição, não tardariam a depôr as armas. Consta pois, que o conselho não foi aceite.
Puseram os homens as mãos à obra e ainda antes que a muralha estivesse concluída, decidiram avisar o capitão-mor da vila da Praia, por onde acometeriam os Ingleses. Mas estes dominavam toda vila, guardando as ruas e entricheirados no adro da Igreja da Misericórdia e na Igreja de Santo António, fazendo frente a qualquer avanço das gentes da Graciosa. Ainda assim os homens de Santa Cruz investiram desordenados, até verem um dos seus cair morto com um tiro. Nova desordem. Gritaram, correram, saltaram paredes, abrigaram-se nas vinhas e esconderam-se nas casas. Estes Ingleses eram o diabo!
Após terem saqueado casas e igrejas e tudo o mais que havia para roubar, os piratas embarcaram todo o espólio no barco, servindo-se para isso dos fidalgos que aprisionaram, descalços e despidos, da maneira que da cama os tinham tirado. Quando viram a pólvora a acabar, decidiram pedir tréguas, enviando o capitão António Correa sob escolta junto aos homens de Santa Cruz. Embora o capitão tenha insistido num novo ataque, as tréguas foram conseguidas e os Ingleses conseguiram sair do porto, levando consigo alguns prisioneiros com o intuito de pedir resgate.Os homens da terra tentaram afrontá-los uma ultima vez, disparando os arcabuzes, mas nada conseguiram. Algum tempo depois, decidiram os ingleses, soltar um dos prisioneiros em terra para lhes mandar 200 patacas e 4 pipas de vinho. O dito homem, ainda que não tenha conseguido a quantia exigida, tentou iludi-los com 4 pipas vazias, mas esta gente era difícil de ludibriar. Dos restantes prisioneiros, 2 fugiram atirando-se ao mar, mas deram mortos à costa do Faial e os outros foram deixados na Ilha do Fogo, onde estava o bispo dos Açores que logo os tratou de enviar para a Terceira, juntamente com algum do saque das ermidas e igrejas profanada.
Algum tempo depois estes piratas foram interceptados nas costas da Mina por uma fragata Inglesa. As versões contraditórias sobre como tinham adquirido o espólio e as acusações trocadas entre si, levaram-nos a ser acusados de pirataria e condenados à forca.
Assim acaba esta história, resgatada de memórias longínquas nestas linhas mal alinhavadas. O medo dos piratas subsistiu na tradição oral dos Graciosenses durante muitas gerações e esta história poder-se-á ter passado ínumeras vezes, ainda que com contornos menos burlescos; Não deixa de ser curioso o facto de 35 arruaceiros terem conseguido afrontar e aterrorizar uma ilha inteira, que na altura deveria contar com mais de 6000 habitantes.
terça-feira, dezembro 02, 2008
Efemérides
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Sair da Ilha...
Hoje o espaço que a ilha ocupa é muito menor do que as suas reais dimensões, já poucos se contentam com estes 62 quilómetros quadrados que foram em tempos um enorme continente e há que ir mais além porque esta Graciosa já não nos basta. A partir do momento em que nos apercebemos da nossa pequenez, deste mar que nos rodeia por todos os lados, viver na ilha torna-se difícil. Acontece a quem sai da ilha para estudar e de pouco valem as promessas dos políticos e o seu empenho em criar condições para que um dia, quem saiu, regresse e se cumpra. Porque a Graciosa não pode oferecer o que oferece São Miguel, Lisboa ou o Porto.
Alegro-me pelos que regressam à ilha, empenhados em fazer alguma coisa pela sua terra. Mas são sempre poucos, por muito valor que tenham. Os restantes, essa maioria que enche as nossas ruas no Verão, vão ficando lá por fora, a cumprirem-se longe da sua terra, das sua raízes e a cada Inverno que passa as ruas vão ficando desertas e pesam nos rostos dos que cá ficam essas ausências…
sexta-feira, novembro 28, 2008
Alto Douro

terça-feira, novembro 25, 2008
Fotografias da Minha Graciosa - 5
domingo, novembro 23, 2008
Queixa das Almas Jovens Censuradas
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"
domingo, novembro 16, 2008
Deolinda - Movimento Perpétuo Associativo
Genial...
Como dizia alguém "isto é o mais puro hino à essência do portuguesismo"... Movimento Perpétuo Associativo a hino nacinal!!!
Cruzes
domingo, novembro 09, 2008
sábado, novembro 08, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
Árvores
domingo, outubro 12, 2008
Forte do Corpo Santo
terça-feira, outubro 07, 2008
O Provincianismo segundo Fernando Pessoa
domingo, outubro 05, 2008
António do Couto (1709)
domingo, setembro 28, 2008
Metallica - The Day That Never Comes
Um videoclipe fantástico para uma musica fantástica...Um regresso em grande!
segunda-feira, setembro 22, 2008
Pico Negro
Félix José da Costa - Memória Estatística e Histórica da ilha Graciosa (1845)
quinta-feira, setembro 18, 2008
Jimi Hendrix - Wild Thing (live) (Guitar Sacrifice)
Jimi Hendrix morreu há precisamente 38 anos... Foi o melhor guitarrista de sempre, um prodigio que soube fundir o melhor da musica americana, o blues e o rock, um icone máximo da geração peace and love, que pouco tempo depois perdeu outro dos seus simbolos, Janis Joplin. Foi o fim de um sonho...
terça-feira, setembro 16, 2008
quarta-feira, agosto 20, 2008
Vidas de Trabalho
terça-feira, agosto 19, 2008
Agradecimento mui Sentido à Atlânticoline

Por pores a tua frota ao serviço desta ilha,
Pelos teus barcos que navegam por entre tempestades épicas para trazerem gente à nossa terra,
Pelos horários flexíveis,
Pela simpatia do serviço, no mar e em terra,
Nós, pouco deVOTOS, não merecemos tamanha deferência, a sério…
Porque gostamos de ser ostracizados,
Porque não precisamos aqui de visitantes,
Porque não queremos que a Terceira ou o Faial se ressintam de lhes roubarmos turistas,
Porque, em verdade, até já nos habituamos ao embargo e nos vamos geminar com Cuba…
Obrigadinho Atlânticoline por nos fazeres sentir orgulhosos de sermos Açorianos !!!
segunda-feira, agosto 18, 2008
Alto Douro (outra vez)

domingo, julho 20, 2008
sábado, julho 19, 2008
A bom entendedor...
A. A. Mendes Correia, Povos Primitivos da Lusitânia, p. 327
terça-feira, julho 08, 2008
O Acidente de Aviação da Brasileira - 13 de Julho de 1929
Os pilotos descolaram às 3:45 hora da madrugada do dia 13 de Julho de 1929 do campo de Le Bourget em França. Depois de terem voado 2 140 km, já sobre o Atlântico Norte central, por volta da 17:00 horas, o motor começou a perder rotações e a emitir ruídos e vibrações anormais. Decidiram então aterrar na ilha do Faial, Açores, em cujas proximidades estariam. Iniciaram então a aproximação à ilha, com bom tempo, mas visibilidade reduzida.
Já quando anoitecia, por volta das 21:00 horas (19:00 horas locais), a situação piorou e Idzikowski decidiu fazer uma aterragem de emergência o mais próximo de terra que lhe fosse possível. Depois de terem sobrevoado por diversas vezes a ilha Graciosa, a maioria do tempo entre nuvens, optaram por aterrar num campo junto ao lugar da Brasileira, na freguesia do Guadalupe, na zona central da ilha. Estando já a anoitecer, o local escolhido foi inadequado, já que um conjunto de muros de pedra solta, alguns deles escondendo desníveis de mais de um metro, constituíam obstáculos que o avião dificilmente poderia atravessar. Em resultado, o avião embateu num dos muros e capotou, ficando com os rodados para o ar.
Na colisão Idzikowski ficou gravemente ferido e encarcerado nos destroços do avião enquanto Kubala sofreu apenas ferimentos ligeiros, saindo dos destroços pelos seus próprios meios. A população local, então empenhada na ceifa e debulha do trigo, tinha visto o avião circundar a ilha várias vezes e apercebeu-se do acidente. Acorreram então em socorro dos pilotos, mas no processo de tentar desencarcerar Idzikowski, já noite escura, trouxeram um archote, o qual incendiou o avião, incinerando o piloto.
O corpo de Idzikowski foi levado para Santa Cruz da Graciosa onde aguardou a chegada do veleiro ORP Iskra, da marinha de guerra polaca, que o transportou para a Polónia. Foi sepultado com honras de Estado a 17 de Agosto de 1929 na Alei Zasłużonych do Cemitério de Powązkowsk de Varsóvia (Cmentarzu Powązkowskim w Warszawie), onde uma lápide funerária o recorda. Na Graciosa, junto ao local onde ocorreu o acidente, nas proximidades da Brasileira, um cruzeiro, construído em 1939 com parte doso destroços, e uma lápide também o recordam. O local foi visitado em 1979 pelo embaixador polaco em Portugal, numa cerimónia que assinalou os 50 anos do acidente.
O major Ludwik Idzikowski recebeu a condecoração Virtuti Militari de 5.ª classe, a Krzyz Walecznych (três vezes), a Cruz Dourada de Mérito (Złotym Krzyżem Zasługi) e a cruz de oficial da Ordem da Polonia Restituta (Krzyżem Oficerskim Orderu Odrodzenia Polski).
Fonte: Wikipedia
segunda-feira, julho 07, 2008
Barro Vermelho
sábado, junho 21, 2008
Viva ao Verão!
quarta-feira, junho 18, 2008
monty python football
A propósito do Campeonato da Europa... (segundo a melhor equipa de humoristas do mundo..)
sábado, maio 31, 2008
Já não se fazem filmes destes...
sábado, maio 24, 2008
Monte de Nossa Senhora da Ajuda
Há algo neste quadro que me lembra a Pompeia romana, espraiando-se indolentemente nas encostas do Vesúvio, desconhecendo de todo a sua verdadeira natureza. Mas Pompeia é longe…
Santa Cruz derramou-se por sobre o magma solidificado cuspido das entranhas da terra pela boca deste pico de contornos femininos, mas rudemente masculino na sua essência vulcânica. Desde a Pesqueira até quase ao Barro Vermelho são pedras vomitadas por alguma erupção deste Monte d´Ajuda quando ainda nem havia História. No Charco da Cruz, paralelo ao caminho, para Norte, ainda se sente o declive criado por uma infernal escoada de rocha incandescente. As ervas e as árvores e depois os Homens tomaram conta da rocha viva. Do Monte que a pariu também.
Chamaram-lhe Monte das Violas, foi cultivado, abriram-se caminhos e fizeram-se muros de pedra negra. No cocuruto construíram uma igreja, depois outra e depois outra e mudaram-lhe o nome. Na caldeira que foi inferno ergueram uma praça de toiros (não há-de faltar engenho a esta gente). As árvores voltaram a vestir o monte.
Hoje é um belo passeio, desde a beira dos pauis até lá acima, 200 e poucos metros de altitude que se devem subir devagarinho, à sombra do arvoredo, descansar um pouco quando se chega á primeira cruz. Existem mais duas lá mais em cima, junto á igreja. Dizem que esta foi posta aqui para que aqueles que iam em romaria e não conseguiam chegar à igreja, pudessem rezar neste lugar. Sobe-se o caminho que falta e descortina-se uma porção da ilha. O pico Negro, lá ao fundo é ponto final. A Terra do Conde, a Brasileira, a Beira Mar e o Calhau Miúdo, mudos. Atrás de nós a Serra das Fontes, vetusta. Santa Cruz e a Barra a pique sobre os nossos pés, o Monte vai cair sobre elas. Há uns quantos carreiros, rasgados no declive e escondidos pela vegetação que convidam à deambulação. Santa Cruz não poderia ter melhor jardim, ainda que pudesse ser melhor aproveitado. Agora custa é descer…
quinta-feira, maio 22, 2008
O Pomar das Laranjeiras
quarta-feira, maio 21, 2008
Descanso...
domingo, maio 18, 2008
Joy Division - Love will tear us apart
Há algo em Ian Curtis que me fascina, nem sei bem o quê, mas fico magnetizado quando escuto aquela voz que parece carregar toda a dor do mundo, lamentos de uma alma atormentada que hoje se contam entre as mais bonita musicas que conheço. Bonitas e negras. Ian Curtis pôs termo à vida no dia 18 de Maio de 1980, ainda não tinha 25 anos. Morre cedo aqueles que os deuses amam. RIP Ian Curtis
Baleia

Sei muito pouco acerca da caça á baleia na Graciosa. Conheço uns quantos antigos baleeiros, verdadeiros lobos do mar de mão calejadas e tez queimada, olhar salgado e de quando em vez ouço as histórias que contam. Imagino, só posso imaginar, a dureza deste trabalho e a árdua luta contra o mar e contra o cachalote. Contra tais adversários os riscos eram mais que muitos; a tragédia que ceifou a vida a uns quantos desgraçados na década de 60, já dentro da baia da Barra, é prova disso.
A caça à baleia terminou nos inícios da década de 80 quando já poucos botes restavam. Restam hoje as recordações e um património que até há pouco tempo esteve em vias de se perder e que aos poucos vai sendo recuperado, e mais importante, estimado por todos os Graciosenses.
Fortificações
A ilha Graciosa teve de tirar partido da sua aparente vulnerabilidade; se por um lado os recursos humanos disponíveis eram muito mais limitados do que em ilhas de maior superfície, também é verdade que o esforço dispendido na guarda de uma costa pouco extensa, como é o caso, era menor. Ainda assim o inventário dos fortes da ilha branca ascende a um número bastante significativo, treze, o que por si só exprime a grande ameaça que pairava sobre a sua população. Em verdade são vários os escritos de época sobre ataques piratas e na tradição oral das gentes mais antigas ainda estão bem vivas as estórias dos “mouros” que de tempos a tempos desembarcavam nas costas mais ermas da ilha com o intuito de a saquear. A pirataria foi, mais do que as convulsões tectónicas ou a fúria vulcânica, um dos maiores medos de quem aqui viveu em séculos idos.
domingo, abril 27, 2008
sábado, abril 26, 2008
Bruxas, Lambuzões e Diabretes

Em noites de lua cheia, ouvia-se as bruxas reunidas nos matos, em danças e cantos infernais, que faziam tremer até o homem mais afoito. As gentes trancavam-se nos quartos com medo. O meu avô certa noite foi seguido até casa pelo som de umas violas e a minha avó contava que ao passar numa noite escura à igreja do Guadalupe, sem ninguém por perto, ouviu uns risos vindos por certo do inferno. A ronda das mafarricas. Mas as bruxas, pese o facto de serem bruxas, eram recatadas. As tropelias que aconteciam eram obra sobretudo dos diabretes, pequenos seres de aparência hedionda que se reuniam lá no cimo da serra à beira da Caldeirinha e aterrorizavam quem passasse pelo caminho a certas horas da noite. Evitava-se sair de casa depois do sol se pôr, evitando-se assim o mal que advinha de se cruzar com uma bruxa ou com um diabrete. Ninguém queria ter problemas com servos do diabo. Até conheço dois ou três casos de quem se tenha encontrado de cara a cara com o tinhoso, tentando desviar almas de bem para caminhos dúbios, como o auto vicentino. Mas havia uma reza que invocada nestes momentos servia de protecção e resolvia este grande mal: “Quando saí de casa fiz o sinal da cruz, rebenta Satanás pelo santo nome de Jesus” e logo ali o demónio desaparecia e deixava a pessoa seguir o seu caminho.
A mais original figura da mitologia insular era o lambuzão, nome que não existe no dicionário mas que julgo tratar-se de uma corruptela da palavra lobisomem, adaptada à realidade das ilhas, onde não havia lobos mas havia outros bichos. O lambuzão nascia amaldiçoado (se não estou em erro esta sina recaía sobre o sétimo filho de entre treze irmãos) e em determinadas noites transformava-se em uma qualquer besta, geralmente um porco. O ser lambuzão era um fardo, embora não mantivesse a consciência das suas acções, regra geral nunca agia por maldade. Conta-se aquela estória de uma mulher que estando na sua cozinha, entrou um porco pela porta e começou a roer-lhe a saia. Assustada ela enxotou o animal para não o tornar a ver. No dia seguinte o marido chegou a casa e ela, para desgraça do casal, constatou que o homem trazia preso entre os dentes algumas fibras vermelhas iguais às da sua saia.
É esforço vão arranjar explicações para estas crenças, enraizadas na cultura popular, verdadeiramente ancestrais e anteriores a quase tudo o que conhecemos. Bruxas, diabretes e lambuzões sempre os houve, em todos os lugares, com diferentes nomes, mesmo que não se acredite. Ou como dizem os nossos vizinhos “no creio en brujas, pero que las hay, hay.”
sexta-feira, abril 25, 2008
25 de Abril
domingo, abril 20, 2008
Preguiça...

sábado, abril 19, 2008
A Fundação de Santa Cruz - Parte II
sexta-feira, abril 18, 2008
Avó
Uns anos antes de falecer a minha avó deixou de cozer pão.
Aos poucos aquela abóbada de pedra queimada abate-se, é cada vez menos um forno. A chaminé de mãos postas suplica.
Caro jbc...
sábado, abril 12, 2008
Na Beira...
sexta-feira, abril 11, 2008
A Fundação de Santa Cruz - Parte I

Pedro Correia da Cunha veio encontrar nas bandas ocidentais uma pequena povoação de casebres toscos e cobertos de colmo, dispostos em redor da humilde ermida de Santo André. Este primitivo núcleo do que viria a ser santa Cruz situava-se muito provavelmente entre o actual largo Vasco da Gama, que ocupa a parte mais baixa da vila, e as Fontaínhas, ancoradouro pequeno mas seguro onde os pescadores da povoação varavam os seus barcos. Seguindo o exemplo do capitão, que trouxe a sua família e criadagem, vieram outros fidalgos para Santa Cruz, também eles com o seu séquito, mais as gentes humildes, sem nome nem riqueza, que aqui procuraram começar uma nova vida. Assim nascia a capital da ilha branca…
domingo, março 23, 2008
Feios, Porcos e Maus
sábado, março 22, 2008
Qual Veneno?
Posturas Camarárias da Vila de Santa Cruz da Graciosa – 1784 (Adaptado)
domingo, março 16, 2008
Mares
sexta-feira, março 14, 2008
Ah esta terra!

quinta-feira, março 13, 2008
Passos maiores que as pernas...
quarta-feira, março 12, 2008
domingo, fevereiro 24, 2008
José Berto por Victor Rui Dores
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Ainda os livros...
Memória Estatistica e Histórica da Ilha Graciosa, de Félix José da Costa, publicado pela primeira vez em 1845 e reeditado em 2007. Este livro é a primeira monografia escrita sobre a ilha branca e traça um quadro bastante completo sobre a sociedade Graciosense do século XIX, debruçando-se sobre ínumeros aspectos, desde a História à industria.
Ilha Graciosa Descripção Histórica e Topographica, de António Borges do Canto Moniz, publicado pela primeira vez em 1883 e reeditado em 1981. Este trabalho segue a linha do anterior, ainda que tenha a vantagem de se debruçar mais sobre as gentes e a História da ilha, do que sobre os números com que se alonga Félix José da Costa. Ainda asim não supera a obra anterior.
A Ilha Graciosa de António Brum Ferreira, publicado em 1968 e reeditado em 1987. Este trabalho é a meu ver a melhor monografia que se escreveu sobre a Graciosa, acresce o facto de ter sido escrita por um dos mais importantes geógrafos portugueses da actualidade, na altura ainda estudante universitário. Além de bem escrita é bastante completa, incidindo sobre a geologia, a geografia, a demografia, a história e a economia da ilha. Passados 40 anos desde que foi publicada continua bastante actual em ínumeros aspectos. Imprescindível mais do que qualquer outro livro para quem queira aprofundar o seu conhecimento sobre a Graciosa.
Ofícios Antigos Subsistentes nas Ilhas dos Açores: Graciosa, de F.P. de Almeida Langhans, publicado em 1988. Trata-se de uma recolha etnográfica feita em ínicios dos anos 80, sobre ofícios que naquela altura estavam a desaparecer. É apresentada sobre a forma de entrevistas e fotografias. Um livro que dá gosto de ler, não só por ser um valioso documento mas para rever caras que há muito não vemos: artesãos e artistas (mas sobretudo pessoas) que tanta falta nos fazem.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Livros
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
O museu...outra vez

